CRÍTICA – Eli (2019), de Ciarán Foy

Terror da Netflix peca na narrativa, mas cria bom clima de tensão como os contos de casa mal assombrada.

Como de praxe e a cada ano com mais força, a Netflix vem investindo em lançamentos originais do gênero de terror no mês de outubro para comemorar o Halloween. Projeto, chamado de Netflix & Chills, lança semanalmente filmes e séries do gênero para entreter os amantes do horror e, obviamente, fazer crescer o seu catálogo. Em princípio, se trata de um ótimo projeto, principalmente por apostar em jovens talentos, mas, nesse ano de 2019, vem deixando um pouco a desejar quanto ao resultado que anda apresentando de acordo com os 3 filmes lançados até aqui. Porém, este filme ainda é o melhor dos três.

O filme Eli, de Ciarán Foy (A Entidade 2) veio cheio de expectativa por ser produzido pelos mesmos responsáveis do excelente A Maldição da Residência Hill (2018), uma vez que são vários os momentos em que a Direção de Arte (Erich Donaldson) e a Fotografia (Jeff Cuter) lembram a da série também da Netflix. O filme possui um bom argumento: ele conta a história do garoto Eli (Charlie Shotwell), que possui uma doença genética autoimune, no qual, os pais, Rose (Kelly Reilly) e Paul (Max Martini), desesperadamente tentam achar uma cura para que o filho possa ter uma vida normal. Essa doença impede que Eli tenha contato com a atmosfera, necessitando sempre ficar em uma bolha isolada ou usando um traje especial. É ai que eles encontram a doutora Horn (Lili Taylor), uma médica especialista naquela doença que promete a cura através de um tratamento controverso, mas eficiente. A família, então, se muda para a antiga mansão da doutora, que possui a atmosfera necessária para o garoto sobreviver sem a proteção de roupas especiais. É durante o processo que Eli começa a ser assombrado por entidades estranhas e, com a ajuda de Haley (Sadie Sink) passa a descobrir as verdades por trás daquelas pessoas e desta mansão.

Em princípio, o filme promete um horror mais inspirado nos contos de casa mal assombrada. Mas o que testemunhamos é uma jornada de horror de uma personagem que descobre a si mesmo e enxerga o mundo que o envolve. A narrativa usa como elemento fundamental a autodescoberta e a consequente rebeldia da adolescência que se volta contra os pais e as estruturas de relações de poder que o envolvem e buscam estabelecer um lugar social para ele. Nesta obra, vemos mais uma vez o uso da disciplina do corpo para a docilização do personagem sem mesmo sabermos o que anda acontecendo. Parece ser um acerto do diretor esconder do público as verdadeiras intenções dos responsáveis pela saúde de Eli. Mas o filme acaba derrapando em alguns clichês clássicos e jump scares que despotencializam o poder do argumento que eles apresentam. Foy apresenta bem os elementos do horror, mas vai aos lugares comuns para explicar alguns aspectos das personagens, ou talvez, nem mesmo explicar. Falta profundidade quanto a história dos pais, por exemplo. Apesar de ele querer esconder as motivações que levam as suas decisões, a reviravolta transforma repentinamente os pais em outras pessoas.

É obvia a inspiração em O Iluminado, de Stephen King, principalmente na relação entre pai e filho, mas fica obsoleta a tensão entre eles por não existir uma maior aproximação entre o background da personagem de Max Martini e o seu filho, se não por alguns poucos momentos. É mais evidente a relação entre Rose e Eli, mas em nenhum instante, o filme deixa o fio de Ariadne solto para que possamos, de fato, redescobrir a personagem ao ser revelado algo bombástico sobre ela. A boa impressão fica quanto a atuação de Charlie Shotwell, que já havia encantado no ótimo Capitão Fantástico, e a já conhecida de Stranger Things, Sadie Sink. A dupla, por mais que pouco interaja, nos convence e nos dá a vontade de ver mais sobre eles.

Por fim, o filme vale a pena a quem é realmente fã deste sub-gênero e não se importa em revisitar lugares comuns. Longe de ser um desastre, mas também longe está de filmes da nova leva do cinema de horror, como os de Ari Aster e Robert Eggers. Apesar de tudo, vale fazer uma pipoca e estragar o estomago com um refrigerante bem gelado. Pode assustar algumas pessoas mais sensíveis ao horror de fantasma, mas a este “assistidor” de filmes, não causou nenhuma experiência de medo.

Ficha Técnica: Eli (Original Netflix)

Título Original: Eli

Países de Origem: EUA

Duração: 100 minutos

Ano produção: 2019

Distribuidora: Netflix

Classificação: 16 anos

Gênero: Terror

Elenco: Charlie Shotwell, Sadie Sink, Kelly Reilly, Max Martini, Lilly Taylor.

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