CRÍTICA: Exterminador do Futuro: Destino Sombrio (2019), de Tim Miller

Uma grata surpresa, o retorno da franquia que nos faz esquecer os fracassos anteriores. Linda Hamilton volta com tudo e mostra como Sarah Connor é a maior bad ass do cinema.

Uma das franquias mais adoradas, e ao mesmo tempo mais mal tratadas da história tem um grande retorno às telas. Permitam-me: um grande retorno se compararmos às ultimas 3 histórias que precederam a Exterminador do Futuro: Destino Sombrio. A volta de James Cameron ao processo criativo e às decisões finais sobre a obra se mostra um acerto, tanto na proposta do filme quanto na comunicação que ele estabelece com o público que se propõe a assistir. E infelizmente, no dia de hoje, o filme vem tendo uma bilheteria tímida, resultado de filmes medíocres que tentam explicar e conduzir o universo da franquia de forma atabalhoada. Cameron volta dando um reset, mas não para recomeçar, e sim voltar para o ponto em que parou.

Aqui voltamos para Sarah Connor (linda Hamilton) – a bad ass das bad ass dos filmes de ação – após mudar o destino do mundo com seu filho, John e o T-800, destruindo as pretensões da Skynet e o segundo exterminador, T-1000. O problema é que as máquinas daquele futuro que não existe mais mandaram vários exterminadores para cumprir sua missão e matar John Connor. E um deles cumpre a missão matando John. Connor vive afundada na falta de John, caçando esses exterminadores com a ajuda de alguém misterioso. Paralelo a isso, Grace (Mackenzie Davis), uma humana aprimorada, vem do futuro para proteger Dani Ramos (Natália Reyes), procurada por um outro exterminador extremamente evoluído, o REV-9. É quando a história das 3 personagens – Sarah Connor, Grace e Dani – se encontram, depois de uma intensa perseguição de REV-9. É quando entra em cena um antigo conhecido, o T-800 (Arnold Schwarzenegger).

O argumento do filme opta pela estrutura simples e clássica da ação contemporânea que em certos momentos são excessivas. Mas tem como virtude o alinhamento do universo de ficção científica proposto lá atrás, nos anos 1980 e 1990. A discussão apresentada no filme não cai na tecnofobia sombria que o primeiro Exterminador do Futuro discute e nem é a pura ação da pacificação entre tecnologia e humanidade do segundo. Aqui, o roteiro vai propor uma reflexão da relação dos seres humanos e as máquinas e a possível mimetização da máquina no humano, colocando em questão percepções que andam em pauta sobre o funcionamento que damos às Inteligências Artificiais que andamos produzindo. Sem maiores pretensões, pensaríamos que o filme pudesse cair numa pieguice, mas não cai. Sua proposta é clara e a direção dada não trata o espectador como um imbecil, comum em muitas franquias milionárias espalhadas por ai. Mas todos esses elogios que dou não faz do filme escapar de alguns deslizes.

Enquanto seu roteiro se propõe em ficar na superfície do debate – uma escolha correta – a direção, ao contrário do segundo, não potencializa as relações emotivas entre as protagonistas. O filme sobrevive com a empatia que temos por Sarah Connor, onde encontramos uma excelente Linda Hamilton, mas não consegue ser empático na relação entre Grace e Dani. É obvio o problema, quando decidiu-se optar pelo excesso de ação e por menos cenas que emulam a relação entre as personagens sem a urgência do momento. Lembro bem que, no segundo Exterminador, a relação entre John e o T-800 nos faziam respirar um pouco quanto ao suspense entoado pela perseguição praticada pelo T-1000. Nesse, eu não consegui sentir isso. O excesso de ação sufoca esse bom elemento escanteado pela direção de Miller, que fora sugestivamente criticada por James Cameron, que revelou ter trabalhado muito na montagem para dar forma ao filme.

Porém, esse episódio da franquia tem muito mais acertos do que erros. De fato é um cinema pipocão que todos nós merecemos e temos o direito de ver, com uma produção técnica incrível e uma montagem de arrepiar. Com certea não é um filme que entre para a história como os dois primeiros, e principalmente, o segundo. Mas é um excelente trabalho que faz jus à franquia e que, com certeza, deixa os fãs da série feliz. Vale perguntar: será que ele terá força para atrair novos fã? Fica o questionamento para o futuro.

FICHA TÉCNICA

Título original: Terminator: Dark Fate

Direção: Tim Miller

Nacionalidade: EUA

Gêneros: Ação, Ficção científica

Ano de produção: 2019

Duração: 2h 8min

Classificação: 14 anos

Elenco: Mackenzie Davis, Linda Hamilton, Brett Azar, Arnold Schwarzenegger, Gabriel Luna, Natalia Reyes, Tábata Cerezo

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